segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Playlist da semana

Vamos à segunda parte dos clipes geniais. Começamos com duas mais lentas, logo após ligamos o drive nas guitarras! (No clipe do White Stripes, em especial, sugiro atentar para as referências bíblicas. Trazem novas e interessantes interpretações para o vídeo!)

1) Sigur Ros - Hoppípolla



2) R.E.M. - Everybody hurts



3) Radiohead - Just



4) White Stripes - Blue Orchid



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Leto.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Não - O Albergue não adotou decorações natalinas

Boa noite, caros frequentadores deste recinto.

Eu estou encarregada, desde que cheguei, de deixar o ambiente um pouco mais acolhedor, dentro das minhas possibilidades de ação. Leonardo e Hermes, outros dois donos desta casa, dão-me muita liberdade de mover um sofá aqui, acertar um quadro ali, colocar um perfume no ar acolá. O que me deixa feliz n'O Albergue é que eu tenho mais ou menos as mesmas ideias dos outros rapazes - um pouco menos ranzinza que o Hermes, um tanto mais intolerante que o Leonardo, verdade seja dita.

Mas, apesar das reclamações, decidimos (na verdade, eu decidi, certa da concordância dos outros dois) que O Albergue não aderiria ao clima noélico. Por quê? Porque a data é fictícia, porque as decorações são clichês (para não dizer cafonas), porque esta hospedaria deve ser igualmente acolhedora todos os dias.

Houve reclamações, claro. Eu as ouvi com atenção, óbvio. Mas Hermes, especialmente, desde a fundação, deixou claro que, aqui, os clientes são sempre bem tratados, mas nem sempre têm razão.

No seu primeiro ano, O Albergue deixou passar batido o natal. Neste ano, eu achei por bem dar, pelo menos, uma satisfação.

Um Feliz Natal para quem é de comemorar; uma boa noite para quem, como nós, acha que um dia é apenas um dia.



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Leto.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Vagos sentimentos vespertinos

Foto: Leonardo Ramos

Causerie

Vous êtes un beau ciel d'automne, clair et rose !
Mais la tristesse en moi monte comme la mer,
Et laisse, en refluant, sur ma lèvre morose
Le souvenir cuisant de son limon amer.

- Ta main se glisse en vain sur mon sein qui se pâme ;
Ce qu'elle cherche, amie, est un lieu saccagé
Par la griffe et la dent féroce de la femme.
Ne cherchez plus mon coeur; les bêtes l'ont mangé.

Mon coeur est un palais flétri par la cohue ;
On s'y soûle, on s'y tue, on s'y prend aux cheveux !
- Un parfum nage autour de votre gorge nue !...

O Beauté, dur fléau des âmes, tu le veux !
Avec tes yeux de feu, brillants comme des fêtes,
Calcine ces lambeaux qu'ont épargnés les bêtes !
Charles Baudelaire.

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Leonardo Ramos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Parceria: O Albergue + Pimenta, Moda, Música

Minha segunda contribuição para o blog "Pimenta, Moda, Música". Desta vez, o assunto é o primeiro trabalho solo do Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, na trilha sonora do filme "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild). Confira:

http://www.chillifashionrock.blogspot.com/2011/12/radiola-moderna-eddie-vedder-flertando.html

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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Playlist da semana

Clipes geniais. Parte I.

1) Prodigy - Smack my bitch up



2) Pearl Jam - Do the evolution



3) Depeche Mode - Wrong



4) The Dead Weather - Treat me like your mother



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Hermes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Parceria: O Albergue + Pimenta, Moda, Música

Minha contribuição para o excelente blog da minha amiga querida Daniela Fontes sobre moda! O blog se chama "Pimenta, Moda, Música", e a seção de que participo é sobre música, intitulada "Radiola Moderna". Nessa postagem, falo sobre o Iron & Wine.

http://chillifashionrock.blogspot.com/2011/12/radiola-moderna-iron-and-wine.html

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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Playlist da semana

Para esta semana, a música n'O Albergue ficará por conta de alguns dos melhores baixistas do rock, na minha opinião. Vou deixar de fora o Flea desta vez - apesar de que a linha de baixo do "Aeroplane" é uma das minhas preferidas de todos os tempos - porque acho que já se repara nas suas linhas normalmente, tanto pelo nome quanto pelo estilo funk de tocar.

Comecemos, então, pelo Paul McCartney e seu baixo Rickenbacker bem seco, do jeito que costumava ser nas músicas dos Beatles, mas com bastante definição. Tocado com palheta, é ele quem dita o ritmo da música:

1) The Beatles - Hey Bulldog



Agora, o serviço está por conta do Andy Rourke, dos Smiths. O baixo bem agudo, herdado do Joy Division, faz a música ficar estranhamente dançante:

2) The Smiths - Barbarism begins at home



Simon Gallup também tinha o costume de tocar baixos mais agudos, às vezes com um leve drive, no The Cure. Mas nesta música ele escolhe um timbre mais grave, menos brilhante, perfeito para a linha melódica que ele fez:

3) The Cure - Lovesong



Por último, uma linha completamente surtada do Colin Greenwood. O disco "Ok Computer", do Radiohead, foi um marco de mudança de sonoridade dos anos 90, e seria o primeiro passo para a banda se distanciar das demais contemporâneas. Já na primeira música, Greenwood surpreende com uma maneira não ortodoxa e genial de tocar baixo:

4) Radiohead - Airbag



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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aniversário d'O Albergue


Ontem, dia 04 de dezembro, foi o dia do primeiro aniversário deste estabelecimento. Eu, como é de costume, não lembrei a data. Aniversários simplesmente não me atraem. Não vejo sentido nenhum em comemorar o fato de a Terra ter dado mais um giro em torno do Sol desde que eu nasci. Se o Hermes estivesse presente, provavelmente ele teria, com sua alegria austera de sempre, lembrado de fazer uma homenagem.

No entanto, como eu geralmente dou os devidos parabéns aos demais seres humanos normais que comemoram as revoluções do planeta em torno da estrela, farei essa concessão também a este lugar.

Aproveito para anunciar que esta casa agora contará com a presença de uma nova sócia, Leto, que se encarregará de deixar este ambiente governado ditatorialmente por um homem de poucas palavras e outro sem o mínimo de senso prático mais agradável e acolhedor. Ela estará presente aqui especialmente durante a noite, enquanto o Hermes cuida dos assuntos diurnos.

Então, feliz aniversário - atrasado! - para O Albergue e seja bem-vinda, Leto.

Leonardo Ramos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Playlist da semana

As esquecidas da Legião Urbana - parte II: menos agitadas.

1) A Montanha Mágica (V)



2) 1º de julho (A Tempestade)



3) Música de trabalho (A Tempestade)



4) Comédia Romântica (Uma outra estação)


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Hermes.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Playlist da semana

Músicas da Legião Urbana esquecidas, mas memoráveis. Esta primeira postagem é dedicada às músicas mais "rockers".

1) L'Âge d'Or (V)



2) Do Espírito (O Descobrimento do Brasil)



3) Natália (A Tempestade)



4) La Maison Dieu (Uma outra estação)



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Hermes.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Playlist da semana

00's.

1) S. Carey - In the dirt



2) The National - Vanderlyle crybabe geeks



3) Wye Oak - For prayer



4) The Raconteurs - Steady as she goes



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Hermes.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Revisor

Sentou-se diante da folha em branco. As ideias estavam em sua mente, mas a distância entre seu crânio e sua mão parecia tão grande que era impossível transformar o pensamento em palavra escrita.

“Faça-se a luz, Deus disse. E a luz se fez”. Lembrou-se dessa página bíblica e pensou que ele também poderia ser um tipo de demiurgo. Se Deus criara o mundo pela palavra, talvez ele pudesse dar à luz um texto. “Se eu tivesse sete dias, talvez eu conseguiria... Talvez”, pensou. Na verdade, ele tinha apenas sete minutos. Sete dias para Deus, que, segundo a crença judaico-cristã, sempre existiu e sempre existirá, devia equivaler a sete minutos para ele. Mas não, ele não queria ser Deus, nem mesmo um seu discípulo. Se Deus é um escritor, não deve ser dos melhores. Deve escrever, como diz o ditado, em linhas tortas.

Este último pensamento o desgostou sobremaneira.

- Não, eu não quero ser Deus, nem seu discípulo. Mas eu me candidataria à vaga de seu revisor.

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Leonardo Ramos.

Obs.: Texto escrito como parte de uma prova para revisor freelancer numa editora.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Playlist da semana

90's.

1) The Verve - This is music



2) Nirvana - Breed



3) The Prodigy - Breathe



4) Jeff Buckley - Last goodbye



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Hermes.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Playlist da semana

80's.

1) Joy Division - Ceremony



2) Cocteau Twins - Pur



3) Echo & The Bunnymen - Pictures on my wall



4) Felt - Silver Plane



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Hermes.

domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre o serviço de revisão, normalização e tradução


Caros visitantes desta casa,

Estou informando que presto serviços de revisão - já segundo o Novo Acordo Ortográfico -, normalização segundo a ABNT e APA e tradução (inglês e francês) de textos comuns ou técnicos/científicos. Abaixo, a tabela de preços que eu pratico (clique na figura para ver num tamanho maior):



Uma lauda é composta por 1500 caracteres, incluindo espaços.


Interessados, favor entrarem em contato pelo e-mail: leofranciscano@gmail.com

Leonardo Ramos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Playlist da semana

70's.

1) Pink Floyd - Dogs



2) Led Zeppelin - Four Sticks



3) Jethro Tull - Back Door Angels



4) Grateful Dead - Row Jimmy



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Hermes.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sobre os Cinco Rios e as janelas (todas elas) do dia


"Abro a janela da frente: o dia começa aqui, no resto do meu café".
Um dia, Cinco Rios

De dentro de casa, o mundo sempre parece distante. Paredes e portas determinam o limite da nossa intimidade, onde só deixamos entrar aqueles que queremos. A janela é o meio de um contato com o exterior que permite que vejamos sem nos expormos totalmente. É possível se esgueirar e tentar, de fora, prescrutar o que acontece dentro de uma casa estranha, mas a cena que se vê será sempre um recorte mínimo do universo que existe ali. Uma briga, uma comemoração, uma conversa alegre, um carinho, um choro solitário... Mas é somente para quem vive ali dentro que um mosaico de todas esses e mais outros inúmeros momentos compõem o quadro da existência singular humana.

Da mesma forma, de dentro desse universo, o mundo, a cidade é vista como uma ressonância do que vai ali. Porque não existe objetividade absoluta enquanto nós estamos imersos num mar de sentimentos impossível de ser completamente abarcado. E são esses sentimentos que nos direcionam na leitura, sempre singular, do mundo.

É assim que eu traduzo a experiência da audição do novo álbum da banda Cinco Rios, Todas as janelas do dia. Um trabalho que compõe um mosaico de emoções tão humanas, tão reais, que podem ressoar em qualquer um. As músicas, que aparentemente são janelas muito diferentes umas das outras - umas que dão para o burburinho da rua, outras que dão para a escada de incêndio, para uma fuga rápida - são pequenas cenas de uma vida que pode ser a minha. Cada composição, assinada por diferentes músicos da banda, traz uma singularidade de arranjos, de melodias, de timbres instrumentais e vocais, de letras, de ideias que, juntas, refletem uma construção muito maior, onde o teatro da vida é recriado.

Ou, como o nome da banda sugere, onde acontece a confluência das cinco individualidades que integram a banda. Maurício e João dividem os vocais principais, alternando, de forma inteligente e prazerosa, doçura e força, alegria e desespero, tristeza e raiva. A bateria precisa do Fabrício, as linhas de baixo bastante melódicas do Bruno e os violões e guitarras-base do João são um alicerce firme onde se erguem os belíssimos pianos e teclados do Maurício e a guitarra sempre surpreendente e marcante do Capute. É desse conjunto, bem construído, que podemos revisitar nossa própria intimidade ou olhar o mundo que se apresenta diante da nossa janela.

Neste trabalho, a banda logrou aquela unidade que todas as bandas procuram para seus álbuns, coisa difícil de se alcançar. Todas as janelas do dia é um álbum equilibrado, coeso, sem ser tematicamente pobre. A melancolia de "Cinza", do álbum Ecos da cidade não se perdeu, está em "Vê", faixa que abre o álbum, assim como na belíssima "Noir", de veia jazzística. No entanto, a raiva e a angústia de "Letra por letra", também do álbum anterior, foi potencializada em "A hora fria" - minha predileta! -, "Um dia" e "O Náufrago", esta última com um fim arrebatador: gritos, distorção e um trecho final de arrepiar. Para contrabalançar, "Manhã veloz" - música já anteriormente divulgada - traz uma leveza e um lirismo que realmente emocionam.

Não vou abrir todas as janelas agora. Mas gostaria de dar um destaque ao excelente trabalho de produção musical do Fabrício Galvani, baterista da banda. Gravado em fita magnética, como nos velhos tempos!, o som trouxe à frente a naturalidade e a humanidade da execução musical. A mim, muito me agrada escutar o pedal do piano acústico, a percussão da palheta sobre as cordas, um bumbo de bateria quase tão natural quanto ao vivo.

A banda fará o show de lançamento do álbum na próxima quinta-feira, dia 29 de setembro, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (Avenida Afonso Pena, 4001), às 21h, onde o álbum - que conta com o inegável talento de Tiago Capute, guitarrista da banda, na arte visual - poderá ser adquirido. Vale a pena, digo de antemão, ter a materialidade desse trabalho. Como eu disse na postagem "Sobre a trilha sonora possível para Belo Horizonte", o trabalho gráfico faz parte da obra, contribuindo para alargar os sentidos e abrir novas janelas.

Todas as janelas do dia, da banda Cinco Rios, é essa janela aberta que permite iluminar o interior e de onde nós podemos olhar o exterior. Não deixe de escutar.
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Mais informações e links para baixar os demais trabalhos da Cinco Rios em: www.cincorios.com.br

Leonardo Ramos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nau

Rumor de tempestade. O mar rugia,
tornando, então, fatal a odisseia
da minha humanidade. Escuro o dia,
reuniu-se sobre mim a assembleia

do Olimpo feminino: após o vento
que veio d’Hera, Ártemis cessou
as vagas que trouxessem movimento
à nau que Menelau extraditou.

Assim, parado, sob o pálio escuro,
surgiram dois fanais brilhando, claros,
fazendo meu caminho mais seguro,

pois não existe sorte de cadena,
pendente dos porões os mais amaros,
que não se rompa ao doce olhar de Atena.

Leonardo Ramos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Playlist da semana

60's.

1) Bob Dylan - Like a rolling stone



2) The Animals - It's my life



3) Jefferson Airplane - Volunteers



4) The Kinks - Sunny Afternoon



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Hermes.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Playlist da semana

Nas raízes.

1) Leadbelly - House of the rising sun



2) Robert Johnson - Crossing road



3) Son House - Death letter blues



4) Skip James - Crow Jane



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Hermes.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Playlist da semana

Participações especiais em gravações.

1) PJ Harvey - This mess we're in (com Thom Yorke)



2) Massive Attack - Pray for rain (com Tunde Adebimpe)



3) The National - I'm afraid of everyone (com Sufjan Stevens)



4) David Bowie - I'm afraid of americans (com Nine Inch Nails)



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Hermes.

sábado, 3 de setembro de 2011

Vagos sentimentos vespertinos

Foto: Leonardo Ramos

Le coucher du soleil romantique

Que le Soleil est beau quand tout frais se lève,
Comme une explosion nous lançant son bonjour !
- Bienheureux celui-là qui peut avec amour
Saluer son coucher plus glorieux qu'un rêve !

Je me souviens !... J'ai vu tout, fleur, source, sillon,
Se pâmer sous son oeil comme un coeur qui palpite...
- Courons vers l'horizon, il est tard, courons vite,
Pour attraper au moins un oblique rayon !

Mais je poursuis en vain le Dieu qui se retire ;
L'irrésistible Nuit établit son empire,
Noire, humide, funeste et pleine de frissons ;

Une odeur de tombeau dans les ténèbres nage,
Et mon pied peureux froisse, au bord du marécage,
Des crapauds imprévus et de froids limaçons.
Charles Baudelaire
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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Playlist da semana

Versões que ficaram melhores que as músicas originais.

1) The Pretenders - Creep



2) Marilyn Manson - Sweet dreams (are made of this)



3) CAKE - I will survive



4) Iron & Wine - Such great heights



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Hermes.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Playlist da semana

De volta ao folk.

1) Nick Drake - At the chime of a city light



2) Doug Paisley - Wide open plain



3) Marissa Nadler - Thinking of you



4) Paul McCartney - Jenny Wren


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Hermes.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Poema - Nego sem alarde

Da querida Fabiana Leite
http://caminhodaminhoca.blogspot.com

nego sem alarde,
dia após dia,
tudo que me reduz.

crio o novo
e nele cabe o torto,
porque o reto eh tosco
e ja não me seduz.
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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Playlist da semana

Continuação das letras psicodélicas.

1) The Stone Roses - Breaking into heaven



I've been casing your joint for the best years of my life
Like the look of your stuff, outta sight
When I'm hungry and when I'm cold
When I'm having it rough
Or just getting old

Listen up sweet child of mine
Have I got news for you
Nobody leaves this place alive
They'll die and join the queue
Better man the barricades
I'm coming in tonight

Had a line of my dust, outta sight
When I wander and when I roam
I'll find a soul I can trust
I'm coming home

Listen up sweet child of mine
Have I got news for you
Nobody leaves this place alive
They'll die and join the queue, sing it

I'm, I'm gonna break right into heaven
I can't wait anymore

Heavens gates won't hold me
I'll saw those suckers down
Laughing loud at your locks when they hit the ground
Every icon in every town
Hear this your numbers up
I'm coming round

Listen up sweet child of mine
Have I got news for you
Nobody leaves this place alive
They'll die and join the queue, sing it

I'm, I'm gonna break right into heaven
I can't wait anymore

How many times do I have to tell you
You don't have to wait to die
You can have it all
Anytime you want it
Yeah, the kingdom's all inside

2) Portishead - Cowboys



Did you sweep us far from your feet
Reset in stone this stark belief
Salted eyes and sordid dye
Too many years

But don't despair
This day will be their damnedest day
Oh, if you take these things from me

Did you feed us tales of deceit?
Conceal the tongues who need to speak?
Subtle lies and a soiled coin
The truth is sold, the deal is done

But don't despair
This day will be their damnedest day
Oh, if you take these things from me

Undefined, no signs of regret
Your swollen pride assumes respect
Talons fly as a last disguise
But no return, the time has come

So don't despair
And this day will be their damnedest day
Oh, if you take these things from me
Oh, if you take these things from me

3) Iron & Wine - Carousel



Almost home
When I missed the bottom stair
You were braiding your gray hair
It had grown so long
Since I'd been gone

And the perfect girls
By the pool, they would protest
The cross around their necks
But our sons were overseas
And we all know about the hive and the honey bees

Almost home
With an olive branch and a dove
You were beating on a Persian rug
With your bible and your wedding band
Both hidden on a TV stand

And the cruel wind blew
Every city father fell
Off the county carousel
While the dogs were eating snow
All our sons had sunk in a trunk of Noah's clothes

Almost home
We got lost on our new street
While your grieving girls all died in their sleep
So the dogs all went unfed
A great dream of bones all piled on the bed

And the cops couldn't care
When that crackhead built a boat
And said, "Please, before I go
May our only honored bone
Be the kinship of the kids and the riot squad"

4) Flaming Lips - Silver Trambling Hands



She keeps feeling for the blindfold
She keeps wishing for the secret society
To fall

She keeps watching for the jaguar
With the silver trembling hand
Dagger
Night
Fight
Tomorrow

She forgets about the fear
When she's high
When she's high
When she's high
When she's high

She puts diamonds on her forehead
They remind her how the animals and
Trees and insects call

Is it wrong not to believe?
Nature makes us all compete
Daggers
Night fight
Tomorrow

She forgets about the fear
When she's high
When she's high
When she's high
When she's high

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Hermes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Playlist da semana

Atendendo à sugestão do hóspede Adriano Drummond, músicas com letras psicodélicas. Gostei tanto que haverá mais postagens do mesmo tema, porque muita coisa fica de fora quando se tem de escolher apenas quatro músicas.

1) The Beatles - I am the walrus



I am he
As you are he
As you are me
And we are all together
See how they run like pigs from a gun
See how they fly
I'm crying

Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation tee shirt
Stupid bloody tuesday
Man, you've been a naughty boy
You let your face grow long

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

Mister city
Policeman sitting
Pretty little
Policemen in the row
See how they fly like lucy in the sky
See how they run
I'm crying (4x)

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

Yellow matter custard
Dripping from a dead dog's eye
Crab a locker fishwife
Pornographic priestess
Boy, you've been a naughty girl
You let your knickers down

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob


Sitting in an english garden, waiting for the sun
If the sun don't come you get a tan
From standing in the english rain

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

Expert texperts choking smokers
Don't you think the joker laughs at you?
See how they smile like pigs in a sty
See how they snide
I'm crying

Semolina pilchard
Climbing up the eiffel tower
Elementary penguin
Singin' hare krishna
Man, you should have seen them
Kicking Edgar Allan Poe

I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g'joob

2) Pink Floyd - Let there be more light



Far, far, far away? Way
People heard him say? Say
I will find a way. Way
There will come a day? Day

Something will be done
Then at last the mighty ship
Descending on a point of flame
Made contact with the human race at Mildenhall

Now, now, now is the time? Time
Time to be, be, be aware

Carter's father saw it there
And knew the Rhull revealed to him
The living soul of Hereward the Wake

Oh, my, something in my eye? Eye
Something in the sky? Sky
Something there for me

The other lock rolled slowly back
The servicemen were heard to sign
For there revealed in flowing robes
Was Lucy in the sky

Oh, oh, did you ever know - know?
Never ever will they I'll say

Summoning his cosmic powers
And glowing slightly from his toes
His psychedelic emanations fly

3) Nick Drake - Riverman



Betty came by on her way
Said she had a word to say
About things today
And fallen leaves.

Said she hadn't heard the news
Hadn't had the time to choose
A way to lose
But she believes.

Going to see the river man
Going to tell him all I can
About the plan
For lilac time.

If he tells me all he knows
About the way his river flows
And all night shows
In summertime.

Betty said she prayed today
For the sky to blow away
Or maybe stay
She wasn't sure.

For when she thought of summer rain
Calling for her mind again
She lost the pain
And stayed for more.

Going to see the river man
Going to tell him all I can
About the ban
On feeling free.

If he tells me all he knows
About the way his river flows
I don't suppose
It's meant for me.

Oh, how they come and go
Oh, how they come and go

4) Radiohead - Paranoid Android



Please could you stop the noise, I'm trying to get some rest
From all the unborn chicken voices in my head
What's that...? (I may be paranoid, but not an android)
What's that...? (I may be paranoid, but not an android)

When I am king, you will be first against the wall
With your opinion which is of no consequence at all
What's that...? (I may be paranoid, but no android)
What's that...? (I may be paranoid, but no android)

Ambition makes you look pretty ugly
Kicking and squealing gucci little piggy
You don't remember
You don't remember
Why don't you remember my name?
Off with his head, man
Off with his head, man
Why don't you remember my name?
I guess he does....

Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high...high...
Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high... high...
Rain down, rain down
Come on rain down on me

That's it, sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children, God loves his children, yeah
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Hermes.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Playlist da semana

Homenagem a Amy Winehouse e outros grandes artistas que morreram aos 27 anos.

1) Janis Joplin - Ball and Chain



2) The Doors - Riders on the storm



3) Nirvana - Lithium



4) Amy Winehouse - Valerie



Hermes.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Playlist da semana

Guitarras distorcidas.

1) Stereophonics - Vegas two times



2) The Black Keys - Tighten Up



3) Placebo - Soulmates



4) Anathema - Thin Air



Hermes.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Narciso



Narciso, és o mais belo dos mortais!
As deusas todas te adoram!

Narciso, não percebes que as mulheres
Todas de ti se enamoram?

Narciso, o eco de teu sucesso
Te coloca em desvario.

Narciso, tua beleza é infértil,
Joga teu corpo no rio.

Leonardo Ramos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

30 Day Song Challenge - Parte III

Day 21 - a song that you listen to when you’re happy – There goes the fear (Doves)



Day 22 - a song that you listen to when you’re sad – Subterranean Homesick Alien (Radiohead)



Day 23 - a song that you want to play at your wedding – Each coming night (Iron & Wine)



Day 24 - a song that you want to play at your funeral – Magical Mystery Tour (The Beatles)



Day 25 - a song that makes you laugh – Chocolate Jesus (Tom Waits)



Day 26 - a song that you can play on an instrument – Fake plastic trees (Radiohead)



Day 27 - a song that you wish you could play – Do the evolution (Pearl Jam)



Day 28 - a song that makes you feel guilty - Time (Pink Floyd)



Day 29 - a song from your childhood – Chega de saudade (Toquinho e Vinícius)



Day 30 - your favorite song at this time last year – You my lunar queen (Cousteau)



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Leonardo Ramos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Balanço (ensaio sobre um motivo fotográfico)

Foto: Leonardo Ramos


Sou um observador fantasmático das pessoas. Não que eu esteja morto, ou que seja algum tipo de entidade sobrenatural que já pertenceu a um corpo físico. Sou uma pessoa comum, com a vantagem de ser pouco notado pelas outras pessoas comuns.

Costumo parar ao pé de uma árvore seca ou ficar escorado num muro mal-acabado. Fico aí, estático, a ver a procissão dos humanos, carregados em suas preocupações diárias, supérfluas ou importantes, e faço minhas leituras de suas marcas. Sem julgamentos, claro, porque sou um deles, um humano carregado em minhas preocupações diárias, supérfluas ou importantes, e eu também costumo fazer minhas próprias leituras de mim mesmo. Sem julgamentos, claro.

Dias atrás, calhou de eu estar num parque ecológico onde, como sói acontecer, além de árvores e muito verde, há também brinquedos. Brinquedos simples, diferentemente daqueles que estão nos parques de diversões, repletos de botões, engrenagens, assentos, movimentos. Os brinquedos dos parques ecológicos estão mais de acordo com a simplicidade do local.

Nesse parque, então, havia balanços, os favoritos das crianças. Porque, se há uma coisa que um ser humano se ressente de deus é de não poder voar. E se tem um ser humano que mais se sente magoado com essa terrível falha divina é a criança. E lá estão elas, sentadas sobre aquela fatia de madeira retangular, nem sempre bem-trabalhada, suspensa a poucos centímetros do chão por duas correntes, estas presas a um suporte de aço muito bem fixo. Tudo muito rijo – parece –, tudo muito estático. Mas aguarde um balançar de pernas, e outro, e outro agora mais forte, junto com o movimento brusco do tronco para trás: eis o balanço exercendo sua função de dar a ilusão do voo livre.

Nesse dia, não faz muito tempo, os balanços estavam estáticos, à espera da criança para os fazer reviver. No entanto, é uma mulher que desta vez se aproxima: vestido negro, uma bolsa grande, carregada, uma maneira de andar de quem sabe o que quer, um olhar austero e hipnotizante. Sem titubear, deixou sobre um dos balanços sua bolsa grande, carregada – de pensamentos vários, de preocupações inadiáveis, de pequenas conjecturas que escondem grandes decisões, de amores e de amados e de amantes, de filosofia e de necessidades naturais.

Sentou-se no outro balanço. Começou o baile das pernas, para frente e para trás. O tronco, movimentando-se com força para trás, deu ao balanço, num instante, a altura e a velocidade necessárias para o voo imaginário. Interessante como um brinquedo supostamente feito para crianças funciona tão melhor com um adulto, tão carregado, tão cheio de pensamentos vários, de preocupações inadiáveis, de pequenas conjecturas que escondem grandes decisões, de amores e de amados e de amantes, de filosofia e de necessidades naturais.

Mas, muito provavelmente, junto com os movimentos da perna e do tronco, aquela mulher deixou também que a mente balançasse no voo imaginário, guardando os pensamentos, as conjecturas, os amores naquela bolsa estática sobre o estático balanço. Talvez por isso ela tenha alcançado os mais altos céus, lá onde os pássaros costumam planar, mais pesados do que o ar, mas aptos a usar desse mesmo ar – invisível – como seu suporte. Talvez por isso seu sorriso dissesse de um prazer de quem, como uma ave, está pairando sobre o ar – ela mesma mais pesada do que ele, mas apta, agora, a permanecer sobre ele.

Seu voo durou alguns minutos. Mas considero quantos mundos de formas, cores e nenhuma correspondência com este mundo ela visitou. Deve ter planado sobre montanhas disformes, lagos coloridos, céus imensos, terras distantes.

Ao fim, pés no chão. O balanço, num movimento inconformado e desajeitado, para, mas conserva, um tempo ainda, um frêmito convulsivo e estranho. A mulher toma de volta, do outro balanço, estático, sua bolsa carregada. Retoma seu andar de quem sabe o que quer. Seu olhar, austero e hipnotizante, encara o caminho a seguir. Talvez ela tenha deixado cair um ou outro conteúdo de sua bolsa enquanto voltava pelo caminho. Não me importei, deixei-os lá. Deixemos que a terra, a poeira, o chão cuide do que é dele. Cuidemos nós de voar.

Leonardo Ramos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Playlist da semana

Em homenagem ao dia mundial do rock, quatro belos exemplares de guitarras distorcidas, baterias nervosas e vocais frenéticos.

1) The Who - The Seeker



2) Black Sabbath - War Pigs



3) Nirvana - Smells like a teen spirit



4) The Dead Weather - Treat me like your mother



Hermes.

domingo, 10 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

The boy done wrong again


De minha queridíssima amiga Gelly A.
http://fragellytee.blogspot.com
Foto: Leonardo Ramos

Tenho um piano. Grande, marrom, como um elefante. Foi fabricado em 1810 e devo conseguir um bom dinheiro por ele se algum dia tentar vendê-lo a um antiquário – ou o antiquário o conseguirá, depois de inventar uma boa história sobre seu país de origem e seu primeiro dono. Enfim, tenho um piano, mas ele está a quilômetros de distância de mim, na casa onde passei minha infância e onde, durante a adolescência, arrisquei algumas Invenções de Bach e uma sonata de Mozart – aquela em Dó Maior. Há anos não toco sequer uma escala com as duas mãos. A vida vai se afunilando e, um belo dia, somos especialistas em especialidades especialíssimas nas quais apenas outros especialistas especiais e específicos estão interessados. E fica no álbum fotográfico o arco-íris que a gente chegou a ser um dia.

Mesmo assim, tenho ciúmes do meu piano. Sempre que o visito (por tabela), tiro o pó da madeira, das teclas e dos porta-retratos que minha mãe colocou sobre ele. E digo aos meus priminhos curiosos que o piano está trancado, embora nunca tenha tido uma chave. As pequenas e delicadas mãos deles se transformam em dolorosos martelos quando tocam meu piano. E os convenço a procurarem peixinhos no aquário vazio da sala de jantar. Um dia nós tivemos lindos peixes, diversos, de várias cores e com nomes de pessoas famosas. Hoje o aquário vive a saudade de seus velhos tempos, enquanto serve de suporte para begônias e violetas.

O piano, então, ficou mudo. Se ninguém o toca, ele nada fala, nada canta, nada declama. O piano enfeita a sala de visitas, com a imponência de quem pertenceu a Napoleão Bonaparte, e o silêncio de quem perdeu, por causa do imenso funil das especializações, as mãos brancas que o acarinhavam, assim, sem jeito.

Mudas também ficariam as folhas, se o vento não as movimentasse. E a cascas de semente de sibipiruna, se não pisássemos nelas para ouvir sua voz onomatopaica, no meio do outono. E os livros, se os mantivéssemos fechados. Madame Bovary ainda estaria viva, mas Werther nunca me teria feito chorar.

Meu piano é uma caixa de madeira que guarda as mais belas canções. E nunca irei ouvi-las dele se não atravessar os tantos quilômetros que nos separam e desamassar as partituras certas. Assim também são as pessoas. Algumas delas seriam as melhores convidadas para as festas das quais não foram avisadas. As melhores mães, cujos ventres não foram fecundados. Os melhores escritores que ainda assinam o nome com a impressão digital borrada do polegar. Os melhores amantes que não receberam o telefonema no dia esperado. Porque às vezes há, do lado de dentro, tanta cor e tantas fragrâncias à espera apenas de um olhar mais corajoso, dos dedos certos no teclado, uma sequência adequada de números, notas organizadas com cuidado em um par de versos brancos.

Vezes em que somos como meu piano: esperando que arranquem de nós a canção mais triste para que possamos assim nos sentir um pouco menos miseráveis, desperdiçados, mudos.

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Leonardo Ramos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

30 Day Song Challenge - Parte II

Day 11 - a song from your favorite band – Fool on the hill (The Beatles)



Day 12 - a song from a band you hate – Gimme Shelter (The Rolling Stones)



Day 13 - a song that is a guilty pleasure – For your babies (Simply Red)



Day 14 - a song that no one would expect you to love – Luz dos olhos (Nando Reis)



Day 15 - a song that describes you – Let down (Radiohead)



Day 16 - a song that you used to love but now hate – God put a smile upon your face (Coldplay)



Day 17 - a song that you hear often on the radio - Spending my time (Roxette)



Day 18 - a song that you wish you heard on the radio – Western eyes (Portishead)



Day 19 - a song from your favorite album – Helter Skelter (The Beatles)



Day 20 - a song that you listen to when you’re angry – Show me how to live (Audioslave)



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Leonardo Ramos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vagos sentimentos vespertinos

Acrobata da Dor

Gargalha e ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado,
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
Nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Cruz e Sousa
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Leonardo Ramos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Corpo



Quando é que te verei? Na tua espera
Sou presa desse deus que me devora
Sem pressa, membro a membro; muito embora
Eu permaneça vivo. Ah!, eu quisera

Que no ventre de Cronos – essa fera
De ódio cheia e raiva sem demora –
Eu reencontrasse o meu amor d’outrora,
Assim como, ali, Zeus reouve Hera.

Mas no âmago do Tempo não há nada
Além dum só rochedo – cujo cume
Rapidamente alcanço. Na saliência

Meu corpo entrego – a alma olvidada,
Pendendo entre o frescor de teu perfume
E o infinito abismo de tua ausência.

Leonardo Ramos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Soneto - De ser parece que esqueci-me

De meu grande amigo e irmão Adriano Drummond.
http://naturainutiliarum.blogspot.com

De ser parece que esqueci-me.
E pelo Inferno dos meus olhos
(Já sei bem que castigo escolhe-os,
Certo da espécie deste crime:

Ter-me afogado no sublime),
Sentindo um qualquer perfume – óleos
De Eurídice? – viajo em regime
De abrolhos, antolhos, in-fólios.

Pedras púrpuras palmilho,
Sem Beatriz e sem Virgílio,
Assim sempre a caminhar. Mas

Para nada, nada mesmo.
Também assim, num gesto a esmo,
Achei o morto que em mim jaz.
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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Playlist da semana

Esta semana, depois de um maravilhoso achado - todos os vídeos do novo álbum da PJ Harvey, Let England Shake -, a playlist terá doze músicas, o que é três vezes mais que o usual. Aproveitem os belíssimos vídeos e a genialidade dessa mulher.



Hermes.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

30 Day Song Challenge - Parte I

Mês passado deparei com uma brincadeira no facebook que achei interessante. Confesso que a maior parte delas me enfada e irrita, mas esta, sendo musical, me agradou demais. Consiste em dizer, a cada dia, ao longo do mês, uma música que tenha a ver com algum momento pessoal - música que lembra alguém, música que o define, música que o deixa alegre etc. Achei interessante porque eu tenho uma relação com a música muito estreita e íntima, de modo que a maioria das minhas lembranças são ligadas a uma música.

Gostei tanto que decidi colocar as minhas respostas aqui no blog. Para não atrapalhar outras postagens, não vou obedecer a regra da postagem diária. Postarei de três vezes, dez músicas a cada sexta-feira. De uma certa forma, elas compõem um tipo de mosaico - que, ao fim e ao cabo, mostram muito do que eu sou. Vamos ao desafio, então!


Day 01 - your favorite song – The Long and Winding Road (The Beatles)



Day 02 - your least favorite song – É isso aí (Ana Carolina)



Day 03 - a song that makes you happy – I’ve got a feeling (The Beatles)



Day 04 - a song that makes you sad - Broken (S. Carey)



Day 05 - a song that reminds you of someone - Carousel (Iron & Wine)



Day 06 - a song that reminds you of somewhere – Such Great Heights (Iron & Wine)



Day 07 - a song that reminds you of a certain event – Jigsaw falling into place (Radiohead)



Day 08 - a song that you know all the words to – Fugitive Motel (Elbow)



Day 09 - a song that you can dance to – Virtual Insanity (Jamiroquai)



Day 10 - a song that makes you fall asleep - Cowboy (Portishead)


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Leonardo Ramos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Playlist da semana

Há um mês atrás, vocais masculinos graves. Hoje, vocais agudos.

1) Jeff Buckley - Grace



2) The Raconteurs - Level



3) Ours - Mercy



4)Radiohead - There there



Hermes.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Playlist da semana

Músicas cujas letras valem a pena serem conhecidas - extremamente líricas.

1) Nick Drake - Day is done



When the day is done
Down to earth, then sinks the sun
Along with everything that was lost and won
When the day is done.

When the day is done,
Hope so much your race will be all run.
Then you find you jumped the gun,
Have to go back where you began,
When the day is done.

When the night is cold,
Some get by but some get old,
Just to show life's not made of gold -
When the night is cold.

When the bird has flown,
Got no-one to call your own,
Got no place to call your home -
When the bird has flown.

When the game's been fought,
You speed the ball across the court;
Lost much sooner than you would have thought.
Now the game's been fought.

When the party's through,
Seems so very sad for you...
Didn't do the things you meant to do:
Now there's no time to start anew,
Now the party's through.

When the day is done
Down to earth, then sinks the sun
Along with everything that was lost and won
When the day is done.

2) Radiohead - Fake plastic trees



Her green plastic watering can
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth,
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself,

It wears her out, it wears her out,
It wears her out, it wears her out.

She lives with a broken man,
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns.
He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins.

It wears him out, it wears him out,
It wears him out, it wears him out.

She looks like the real thing,
She tastes like the real thing:
My fake plastic love!
But I can't help the feeling,
I could blow through the ceiling
If I just turn and run...

It wears me out, it wears me out,
It wears me out, it wears me out.

If I could be who you wanted...!
If I could be who you wanted all the time,
All the time...

3) The Beatles - Eleanor Rigby



Ah, look at all the lonely people!
Ah, look at all the lonely people!

Eleanor Rigby picks up the rice in the church where a wedding has been -
Lives in a dream -
Waits at the window, wearing the face that she keeps in a jar by the door -
Who is it for?

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Father McKenzie writing the words of a sermon that no one will hear.
No one comes near.
Look at him working, darning his socks in the night when there's nobody there.
What does he care?

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people!
Ah, look at all the lonely people!

Eleanor Rigby died in the church and was buried along with her name.
Nobody came.
Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave -
No one was saved

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

4) The Smiths - Last night I dreamt that somebody loved me



Last night I dreamt
That somebody loved me.
No hope, no harm,
Just another false alarm...

Last night I felt:
Real arms around me.
No hope, no harm,
Just another false alarm...

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old - I know,
But it goes on...
The story is old - I know,
But it goes on.

Hermes.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Tempo


Decidi compartilhar algumas fotos que eu, amadoramente, venho tirando. Essa é a primeira da série.

Leonardo Ramos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Playlist da semana

Hoje, homenagem aos pombinhos pelo Dia dos Namorados de ontem.

1) The Cure - Lovesong



2) Coldplay - Yellow



3) Elbow - One day like this



4) The Smiths - There is a light that never goes out



Hermes.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

God only wants you

Empresto minha vontade de me expressar à excelente banda Ours, com a música "God only wants you" do belíssimo álbum Mercy (Dancing For The Death Of An Imaginary Enemy).



"Can you say
God only wants you too
God only wants you to be
God only wants you...

Can you feel
God only wants you too
God only wants you to dream
God only wants you...

Forever, forever, forever, forever, forever, forever can....
And it seems so hopeless...

Can't you see
I only wanted you
I only want you for me
I only want me...

Could it be
if I was the only,
if I was the only for you,
if I was the lonely...

Forever, forever, forever, forever, forever, forever can...
And it seems so, hopeless...

Forever, forever, forever, forever, forever, forever can...
And it seems so hopeless...

Can you say
God only wants you too
God only wants you to be
God only wants you..."

Leonardo Ramos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Playlist da semana

Para quem ainda não conhece, um movimento musical mais ou menos recente, o trip-hop. Para quem já está familiarizado, é só curtir a viagem...

1) Portishead - Western eyes



2) Massive Attack - Angel



3) Tricky - Evolution Revolution Love



4) Hooverphonic - Circles



Hermes.

sábado, 4 de junho de 2011

Oração das 4h40 (Incompletas)

Quando, por fim, meu tosco lábio tocaria
sedento, o teu – ah, deus! –, eu não compreendia
que, como Páris, tendo em vista a bela Helena,
atrairia de altos céus a ira mais plena.

Na noite – mais iluminada do que o dia –
considerei que a dor jamais me alcançaria.
Eu não imaginei, porém, que aquela cena
tamanho ódio causaria em Atena.

Julgando justo o que era justo, adormeci
na justa paz desse pacífico começo;
mas, quando acordo, inda feliz por que vivi,

surpreso e solitário eu colho o que mereço:
o castigo de Hera, pois não a escolhi,
e que Afrodite venha reclamar seu preço.

Leonardo Ramos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

De repente...

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes
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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Playlist da semana

Hoje, Beatles. Sempre vai bem, em qualquer ocasião.

1) The Beatles - Get Back



2) The Beatles - Revolution



3) The Beatles - Fool on the hill



4) The Beatles - Free as a bird



Hermes.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Playlist da semana

Leonardo não foi um bom administrador dos momentos musicais - que é o que embeleza este albergue meio acinzentado. A partir de hoje, eu, Hermes, assumo o posto e prometo que o nome "semana" que encima a postagem será respeitado.

Esta semana, vocais classudos e melancólicos.

1) The National - Sorrow



2) Cousteau - Jump in the river



3) The Dears - Galactic Tides



4) Eddie Vedder - Long Nights



Hermes.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Braços

Quando se cai no abismo da saudade,
busca-se, em vão, lembranças a salvar:
murmúrios, odores, a suavidade
das mãos entrelaçadas, um olhar,

o falar só por falar, a vontade
de, do abraço, não mais se separar,
o riso sem motivo, a intensidade
dos braços que procuram se enlaçar.

Mas nada nos impede de cair
quando o Hades nos está a reclamar.
E, com Orfeu, nós vamos descobrir

que o mais embasbacante é constatar
que aquele amor que deveria unir
serviu, somente, p’ra nos apartar.

Leonardo Ramos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mãos

Há na separação uma tal propriedade
que, desligando aquilo que se achava unido,
constrói, num laço, um vínculo de intimidade
inteiramente novo, mas não desconhecido,

porque o pensar – esse artifício da saudade –
erige fortes contra a solidão e o olvido:
é como Psiqué guardada na soledade,
feliz mesmo na espera, alheia ao alarido.

Faz muito tempo, Zéfiro levou-te embora
aos altos montes deste amargo afastamento,
longe de mim, perdido em devaneios meros;

mas haverá uma noite e, então, uma aurora;
e, unindo nossas mãos, num descortinamento,
contemplaremos – sob o véu – a face d’Eros.

Leonardo Ramos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vagos sentimentos vespertinos


Dois poemas que não são meus, mas que podem descrever um pouco do meu sentimento nos últimos dias.

"somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which I cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though I have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, I and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(I do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands"
E. E. Cummings
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"O filho que eu quero ter

É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem

De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer ter."
Vinícius de Morais



Leonardo Ramos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre a trilha sonora possível para Belo Horizonte - Parte III




A questão da autoria da obra de arte mudou muito ao longo do tempo. Na Idade Média, especialmente no que se referia à música e à poesia, muita vez era impossível descobrir a autoria com plena certeza. A obra de arte não era ainda vista como a criação ex nihilo por parte de um gênio artístico, gênio este especialmente dotado de inspiração divina ou ao menos não natural. Esta era uma concepção que passou a existir com mais força a partir do Romantismo. Ao contrário, até a Idade Moderna, uma poesia era modificada livremente por cada leitor/escritor que achasse que deveria emendar ou contribuir, e isso, de modo algum, constituía uma afronta para as pessoas daquela época.

Com a invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, escrever se tornou uma atividade lucrativa para o autor e outras pessoas envolvidas no processo de publicação. Para que o retorno financeiro fosse assegurado, tornou-se necessário assegurar também a autoria da obra. A partir de então, o autor era o único responsável por qualquer modificação do texto que "genialmente" criara. Essa maneira de se encarar a criação artística se estendeu às demais formas de arte, de modo que a dúvida sobre a autoria passou a ser decidida nos tribunais se fosse preciso.

Estamos no século XXI, e a questão volta a ser debatida. Desta vez porque a maneira como os artistas costumavam ganhar seu pão de cada dia - vendendo livros, álbuns musicais etc. - foi acertada de cheio pela internet e pela facilidade que ela oferece para se compartilhar arte em formato digital. O mercado artístico está tentando se adaptar a essa nova realidade irrefreável pois, por mais que existam leis e punições previstas para esse tipo de compartilhamento, já não parece mais ser possível conter o oceano de páginas de downloads.

Um passo interessante - e inteligente - foi dado pela banda Radiohead que, em 2007, disponibilizou seu excelente álbum duplo In Rainbows para download, deixando para o usuário a escolha de quanto queria pagar, podendo até baixar de graça. Nessa atitude, o que está em jogo não é a questão da autoria - que permanece do Radiohead, sem sombra de dúvida; mas, sim, da suposta necessidade de venda de CD's para se viabilizar uma banda. Hoje, cada grupo musical tem procurado diversificar seus ganhos, já sabendo que não pode contar muito com a venda de material musical físico.

Nesse sentido, a criação do Creative Commons veio dar uma resposta inteligente às necessidades dos artistas. Em primeiro lugar, o nome do artista é respeitado como criador seja do que for; mas a possibilidade de compartilhamento e até de releituras daquela obra está também aberta - o que, na maior parte das vezes, pode ser de grande ganho para o próprio artista, que terá seu nome sempre circulando.

João Eduardo estava desperto para essa conjunção contemporânea ao criar seu Belo Horizonte - uma trilha sonora possível. A obra foi registrada como Creative Commons, e a ideia inicial dele era de que alguém aproveitasse aquelas músicas de sua autoria para compor a trilha sonora de um filme que falasse de Belo Horizonte, já que as músicas lhe foram inspiradas pelo ambiente da capital de Minas. Mas, como ele mesmo disse na palestra de lançamento do álbum, as músicas podem ser utilizadas para outros fins. E todos nós sabemos que, em termos de criatividade, a mente humana consegue sempre surpreender.

O interessante é que a autoria continua sendo de João, mas as possibilidades de contribuições, releituras, usos e compartilhamentos são incontáveis, o que só irá enriquecer o trabalho inicial. Assim foi, por exemplo, o trabalho de Tiago Capute para o encarte do CD. Capute fez a sua leitura, de designer gráfico e fotógrafo, para as músicas de João. O resultado é espetacular, como se pode comprovar no download de todo o material. As fotos e o trabalho gráfico, ao invés de restringir a interpretação do ouvinte, abre inúmeras outras portas de compreensão - mesmo no caso da escrita, por exemplo, da letra das músicas "Dando voltas" ou "Música triste", onde os espaços não esperados ou não "necessários" geram um efeito de vazio, de falta, de falta de direção ou da não linearidade da vida.

Afora essa já primeira intervenção gráfica, outras de outros tipos virão, com certeza. Eu mesmo, que me apaixonei pelo trabalho por tudo o que coincidiu com minha própria visão de BH, farei um poema baseado em uma das músicas da trilha, e prometo publicá-lo em breve aqui nesta casa.

De qualquer forma, ainda que nosso país, com a administração da nossa atual Ministra da Cultura, queira calar o diálogo sobre a criação contemporânea e as questões do compartilhamento da arte, as coisas acontecem de forma natural. Porque a evolução do mundo não está sujeita às leis, e o trabalho de João Eduardo está aí para reafirmar isso. E eu aproveito para reforçar o convite a conhecer o belo álbum Belo Horizonte - uma trilha sonora possível e a contribuir, da sua forma, com ele.

Leonardo Ramos.
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O link para baixar o trabalho é este: http://duasnoites.wordpress.com/2011/02/23/voce-baixe-aqui/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sobre a dança dos técnicos no futebol brasileiro e o caso do Arsenal




Estou estreando um assunto neste estabelecimento do qual eu já queria ter falado antes por aqui, mas que nunca tinha tido a vontade suficiente para concretizá-lo. Futebol é uma das minhas paixões, e eu gosto de acompanhar, além do brasileiro, os campeonatos da Inglaterra, da França e, mais raramente, da Alemanha e da Itália, nessa ordem de preferência.

Quando eu comecei a acompanhar o futebol inglês, graças à tv à cabo, fiquei encantado com a maneira interessante de jogar de um certo time, que destoava dos demais da terra da rainha. O time jogava com um belo toque de bola, quase nunca errado, tinha um entrosamento visível e um jogador de quem já era admirador, desde aquela famigerada Copa de 98 - Thierry Henry. Ok, eu sei que existem muitos outros jogadores melhores que o Titi, mas, nos seus tempos áureos no Arsenal, sua malícia e rapidez enchiam os olhos de qualquer apreciador de belas jogadas.

Num passado recente da temporada de 2004-2005, que foi quando eu me tornei um gunner, o Arsenal ganhara três campeonatos ingleses - 1997-1998, 2001-2002 e 2003-2004 - e quatro Copas da Inglaterra - 1997-1998, 2001-2002, 2002-2003 e 2004-2005. Cruzando esses dois resultados e comparando com o histórico de vitórias do time, veremos que, após cinco anos sem ganhar nada, na temporada de 97-98 o Arsenal voltou ao topo. Isso, claro, não acontece por acaso. Em 1996 chegava ao Arsenal um grande técnico, cujo nome parecia tê-lo predestinado ao time: Arsène Wenger.

Foi um treinador que deu resultado pouco depois de ter chegado, o que é raro de acontecer. Além disso, ele manteve o time num alto nível até, eu diria, 2006, quando o Arsenal perdeu a final eletrizante da Champions League para o Barcelona. Num campeonato bastante equilibrado, em que quatro equipes são contadas entre as melhores do mundo - Chelsea, Manchester United, Liverpool e o próprio Arsenal - isso é um feito admirável. Não é à toa que é considerado dos melhores treinadores em atividade na Inglaterra, junto com o dos diabos vermelhos, o também sensacional Alex Ferguson.

No entanto, fazem iguais cinco anos que o time de Arsène Wenger não conquista nenhum título. Nesse tempo, Wenger promoveu uma mudança radical no plantel, privilegiando os jogadores jovens e dispensando os mais velhos. Uma medida interessante para quem já estava com o cargo de treinador garantido pelo bom serviço prestado nos anos anteriores. Montar uma equipe jovem, com nomes cuidadosamente selecionados parecia ser a fórmula certa para colocar o Arsenal em primeiro lugar por muitos anos em todos os campeonatos que disputasse, assim que os jogadores ganhassem um pouco mais de experiência e o entrosamento que sempre encantou os olhos dos gunners.

No entanto, não foi isso que aconteceu. Não por causa da qualidade dos jogadores - temos ali vários realmente muito bons, como Fàbregas, Walcott, Nasri, Arshavin, Wilshere entre outros. Os jogadores que antes eram jovens estão ficando velhos, e os títulos não aparecem. Chegam às finais, mas perdem as partidas mais improváveis para times pequenos.

Eu sou defensor da maneira europeia de tratar o técnico, sempre dando a ele tempo para formar um time e tentar levá-lo às vitórias. Mas, ao que parece, o tempo do Arsène Wenger no Arsenal chegou ao fim e, nessa hora, é preciso abrir mão de certas ideologias, pelo bem do time e do próprio técnico.

Depois do jogo do final de semana passado contra o Blackburn, com quem o Arsenal empatou em 0x0 dentro do Emirates Stadium, penso que está na hora de mudar a cara do time, que não jogou mal, diga-se de passagem!, mas que não soube fazer nada mais além que trocar belos passes e fazer grandes jogadas que não resultavam em gol. Lembro-me claramente de um trecho do treino do Brasil na Copa de 2002 em que o Felipão brigava com os jogadores pela falta de objetividade: "Eu toco pra ti, tu toca pra, mim, eu toco pra ti, tu toca pra mim... e ali [no gol] nada?!" Não sou adepto do jogo pragmático nem da dança das cadeiras dos técnicos no Brasil; mas, quando um time parece acomodado por anos num único estilo de jogo, ficando previsível, não vejo outra solução que não a troca do técnico. No caso do Arsenal, para o bem do time - que tem jogadores com uma grande carreira pela frente - e para o de Wenger - que poderia muito bem assumir a Seleção Francesa, tão carente de um bom técnico.

Leonardo Ramos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quatro




Hoje é 04/04, e esta casa completa quatro meses.

Quatro é um número interessante para um deus - diferente de três, que é o do deus cristão.

Como este albergue é dedicado não ao deus cristão, mas ao grego, quatro é um número perfeito.

Hermes.

sábado, 2 de abril de 2011

Pra que lado fica o porto? Parte III

III

Terás alguns bons amigos,
Que te amarão de verdade;
Outros, serão teus colegas,
Teus companheiros de idade.

Amigos são como o vento
Que move as pás do moinho:
Dão-nos a força precisa
Para seguirmos caminho.

Mas se tiveres colegas
Que te pareçam chatinhos,
Pensa que as rosas têm flores
Que trazem junto os espinhos.

Todos serão companheiros,
Mas cada um tem sua meta.
Um quer ver altas montanhas,
Outro deseja ir a Creta.

Uns vão descer na Argentina;
Outros virão da Espanha.
Há quem embarque na França
Pra desistir na Alemanha.

Aprenderás na viagem
Que velejar sobre os mares
Une duas coisas distintas
E, ainda, complementares:

O capitão do navio
Anda com muita atenção:
Numa das mãos traz a bússola;
Noutra, segura o timão.

Alguma vez acontece
(Sempre que o tempo ameniza)
Que o capitão ergue as velas,
Deixa o navio ir à brisa.

Mas para ir aonde quer
O capitão tem em mente
Que às vezes segue-se a rota,
Noutras nos leva a corrente.

E quando as nuvens se ajuntam
E o céu azul se acinzenta;
Quando há períodos de chuva,
De tempestade e tormenta,

Escolhe apenas um rumo,
Acende muitas luzinhas;
E presta muita atenção
Nas armadilhas marinhas.

(Nunca dispenses ajuda
De quem vem junto contigo,
De quem tem experiência,
Nem de quem for teu amigo.)

Após um breve silêncio
Daquele adulto bonzinho,
O pequenino João
Disse, com todo carinho:

“É muito bom, meu senhor
Ouvir as tuas histórias.
Mas quero agora escutar
As tuas grandes vitórias.”

“Ah, meu querido João,
A vida é contraditória!
Às vezes é na derrota
Que construímos a glória.

Mas, sobre as coisas do mar,
Não vou dizer mais agora.
Tu saberás que fazer
Quando chegar a tua hora.

Não te preocupe a idade,
Não tenhas pressa em crescer;
Só aproveita o momento
E o que ele te oferecer

De bom em cada viagem.
Para saber velejar,
Não temos fórmulas mágicas:
Não há “estradas” no mar.

Lembra somente que agora
Serás, com teus companheiros,
Apenas um tripulante
(Alguma vez, timoneiro);

Mas, se tiveres paciência
Para, com o tempo, aprender,
Navio próprio, algum dia,
Para guiar hás de ter.”

“Nossa conversa foi boa!”
– Disse o menino João.
“Somente agora eu percebo
Que estou na embarcação.

Não sinto mais tanto medo.
Só estou um pouco ansioso
Para curtir a viagem:
Um sentimento gostoso.”

“Mais uma vez nos veremos.”
– Disse o adulto João.
“Guarda tuas experiências
Dentro do teu coração;

Quando eu puder te rever
Quero escutar as histórias
Das tuas grandes viagens,
Das tuas muitas vitórias.”

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pra que lado fica o porto? Parte II

II

O adulto olhou a criança,
Sorriu, e lhe perguntou:
“Aonde vais, garotinho?
Que coisa te acelerou

Para correres assim
No centro desta cidade?
Que compromisso importante
Será que tens nessa idade?”

“Primeiro eu peço desculpa”
– Responde aquele menino –
“Depois, queria dizer,
Segundo foi meu ensino,

O nome que recebi:
Mamãe me chama João,
E assim me chama meu pai,
Como também meus irmãos.

Agora, sim, peço ajuda,
Estou um pouco perdido:
Ando à procura de um porto
Sem nunca a ele ter ido.”

Responde, então, o senhor:
“Perdoa a mim, amiguinho,
Eu nem te disse meu nome,
Que é como o teu, igualzinho:

O meu também é João.
E bem conheço o caminho
Que chega até esse porto.
Espera só um minutinho...”

“Não posso mesmo, senhor!”
– Disse com raiva. – “O navio
Há de partir daqui a pouco!
Já ouço seu assobio!”

Sorriu-lhe muito o João
(O que possui mais idade!)
E respondeu: “Vai com calma!
Não é preciso ansiedade!

O barco ainda não parte,
Está somente chamando.
Vamos seguir devagar;
E enquanto vamos andando

Vou te contar um pouquinho
De quando eu fui para o mar.
Tinha teu mesmo tamanho
E o mesmo olhinho a brilhar.”

Interessou-se o menino:
“Já que eu não parto tão cedo,
Quero poder te escutar;
Pois tenho um pouco de medo

De viajar no navio.
Vê só: eu sou tão fraquinho,
Sinto-me tão pequenino!
Porque sou só garotinho.”

“Não te preocupes assim
Com teu tamanho, João!
Vou te contar minha história,
Presta bastante atenção:

Achava tudo tão grande
Quando cheguei ao navio!
Era gigante o convés,
Até senti um arrepio...

Havia muitos meninos,
Do meu tamanho ou maiores;
E várias outras pessoas
Estranhas nos arredores.

Paralisado, eu pensava
No que devia fazer.
A gente perde as palavras
Quando precisa dizer.

(Não compres nunca palavras,
Que elas te deixam sozinho.
Juram levar-te pra Roma;
Deixam-te a pé no caminho.)

Quando ficares assim
Não estarás obrigado
A repetir as palavras
Que os outros têm esperado.

Busca tuas próprias palavras
No dicionário da mente;
Mas, se não queres falar,
Faze silêncio, somente.

Aqui está uma coisa
Que vou dizer bem baixinho:
Pessoas são diferentes,
Vais ver durante o caminho.

Pessoas são como a música:
– Assim eu tenho aprendido –
Umas são belas! Mas outras
Machucam bem nosso ouvido...

Há quem entenda o silêncio,
Há quem prefira falar.
Acha teu próprio caminho,
Não penses em os julgar.

E se quiserem julgar
Teu ser pelo exterior,
Lembra que está mais ao fundo
O que merece louvor:

É lá, bem dentro do peito
Que se esconde o amor,
A compaixão, a verdade,
Jóias de grande valor.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pra que lado fica o porto? Parte I

Para um pequeno menino
(Gigante de coração)
Que se parece comigo,
E que se chama João.


I

Era só seis da manhã.
Bem lento o sol acordava.
Somente havia uma nuvem
Que pelo céu passeava.

O sol, que olhava a paisagem,
Pediu à nuvem licença;
Mas vem o vento veloz
E a empurra co’indiferença;

Ela trombou noutra nuvem
Que andava sem atenção...
Elas gritaram bem alto:
Foi um imenso trovão.

As duas nuvens então
Com muita dor pranteavam;
(E sobre o choro das nuvens
É bom que todos já saibam:

Se alguma delas escuta
Uma colega a chorar,
Chama depressa as demais,
E juntas vão derramar

Aquele choro magoado
Que nós chamamos de chuva)
E o sol, já desanimado,
Calçou as mãos com sua luva,

Vestiu a capa marrom,
Conjunto com seu chapéu;
Pensou: “Que grande bagunça
As nuvens fazem no céu!

Um pequenino problema
Exige todo esse drama?
Ah! Se eu ainda estivesse
Deitado, à noite, na cama!”

As nuvens juntas deixavam
A vista bem mais escura.
Uma dizia: “Não sabes!
Vida de nuvem é dura!

Eu como floco por floco,
E vou ficando gordinha;
Mas quando tem ventania,
Ela me espalha todinha!”

A outra vinha chorando
Querendo achar sua madrinha;
E a descobriu misturada
Com sua antiga vizinha.

Era um acúmulo grande
De nuvens tão diferentes!
Algumas eram mocinhas,
Algumas experientes.

Uma, inclusive, dizia
Que era bastante menina
Quando, saindo, deixara
Sua família na China.

Contou histórias legais,
E quis contar outra vez.
Houve um pequeno problema:
Ninguém sabia chinês.

O sol, cansado de tudo,
Olhando abaixo entrevia
Uma figura pequena
Quando da chuva fugia.

Pediu licença às amigas,
E elas saíram depressa.
Lançou sua luz no menino,
Que parecia com pressa.

Bem logo a chuva parou.
Pôs-se o garoto a correr.
Com seus cabelos molhados
Na sua testa, a escorrer,

Vestia um terno branquinho
E tinha um quepe na mão
Que colocou sob o braço
Pra não jogá-lo no chão.

Mas não sabia o garoto
Por que caminho seguir.
Olhava todas as ruas
Para tentar decidir.

Enquanto olhava pro lado
Não viu o moço parado
Em pé, em frente à parede,
Com seu joelho dobrado.

Bateu o nariz no joelho
Daquela perna dobrada,
Deu piruetas no ar,
Caiu no chão da calçada.

O homem, vendo o menino
Estatelado no chão,
Não lhe negou sua ajuda:
Ofereceu-lhe sua mão

E colocou-o de pé.
O pequenino, apressado,
Pegou seu quepe no chão,
Limpou seu terno manchado

E, quando olhou para o homem,
Tomou um susto danado!
Pois viu que aquele senhor
Como ele estava trajado.