segunda-feira, 25 de julho de 2011

Playlist da semana

Homenagem a Amy Winehouse e outros grandes artistas que morreram aos 27 anos.

1) Janis Joplin - Ball and Chain



2) The Doors - Riders on the storm



3) Nirvana - Lithium



4) Amy Winehouse - Valerie



Hermes.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Playlist da semana

Guitarras distorcidas.

1) Stereophonics - Vegas two times



2) The Black Keys - Tighten Up



3) Placebo - Soulmates



4) Anathema - Thin Air



Hermes.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Narciso



Narciso, és o mais belo dos mortais!
As deusas todas te adoram!

Narciso, não percebes que as mulheres
Todas de ti se enamoram?

Narciso, o eco de teu sucesso
Te coloca em desvario.

Narciso, tua beleza é infértil,
Joga teu corpo no rio.

Leonardo Ramos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

30 Day Song Challenge - Parte III

Day 21 - a song that you listen to when you’re happy – There goes the fear (Doves)



Day 22 - a song that you listen to when you’re sad – Subterranean Homesick Alien (Radiohead)



Day 23 - a song that you want to play at your wedding – Each coming night (Iron & Wine)



Day 24 - a song that you want to play at your funeral – Magical Mystery Tour (The Beatles)



Day 25 - a song that makes you laugh – Chocolate Jesus (Tom Waits)



Day 26 - a song that you can play on an instrument – Fake plastic trees (Radiohead)



Day 27 - a song that you wish you could play – Do the evolution (Pearl Jam)



Day 28 - a song that makes you feel guilty - Time (Pink Floyd)



Day 29 - a song from your childhood – Chega de saudade (Toquinho e Vinícius)



Day 30 - your favorite song at this time last year – You my lunar queen (Cousteau)



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Leonardo Ramos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Balanço (ensaio sobre um motivo fotográfico)

Foto: Leonardo Ramos


Sou um observador fantasmático das pessoas. Não que eu esteja morto, ou que seja algum tipo de entidade sobrenatural que já pertenceu a um corpo físico. Sou uma pessoa comum, com a vantagem de ser pouco notado pelas outras pessoas comuns.

Costumo parar ao pé de uma árvore seca ou ficar escorado num muro mal-acabado. Fico aí, estático, a ver a procissão dos humanos, carregados em suas preocupações diárias, supérfluas ou importantes, e faço minhas leituras de suas marcas. Sem julgamentos, claro, porque sou um deles, um humano carregado em minhas preocupações diárias, supérfluas ou importantes, e eu também costumo fazer minhas próprias leituras de mim mesmo. Sem julgamentos, claro.

Dias atrás, calhou de eu estar num parque ecológico onde, como sói acontecer, além de árvores e muito verde, há também brinquedos. Brinquedos simples, diferentemente daqueles que estão nos parques de diversões, repletos de botões, engrenagens, assentos, movimentos. Os brinquedos dos parques ecológicos estão mais de acordo com a simplicidade do local.

Nesse parque, então, havia balanços, os favoritos das crianças. Porque, se há uma coisa que um ser humano se ressente de deus é de não poder voar. E se tem um ser humano que mais se sente magoado com essa terrível falha divina é a criança. E lá estão elas, sentadas sobre aquela fatia de madeira retangular, nem sempre bem-trabalhada, suspensa a poucos centímetros do chão por duas correntes, estas presas a um suporte de aço muito bem fixo. Tudo muito rijo – parece –, tudo muito estático. Mas aguarde um balançar de pernas, e outro, e outro agora mais forte, junto com o movimento brusco do tronco para trás: eis o balanço exercendo sua função de dar a ilusão do voo livre.

Nesse dia, não faz muito tempo, os balanços estavam estáticos, à espera da criança para os fazer reviver. No entanto, é uma mulher que desta vez se aproxima: vestido negro, uma bolsa grande, carregada, uma maneira de andar de quem sabe o que quer, um olhar austero e hipnotizante. Sem titubear, deixou sobre um dos balanços sua bolsa grande, carregada – de pensamentos vários, de preocupações inadiáveis, de pequenas conjecturas que escondem grandes decisões, de amores e de amados e de amantes, de filosofia e de necessidades naturais.

Sentou-se no outro balanço. Começou o baile das pernas, para frente e para trás. O tronco, movimentando-se com força para trás, deu ao balanço, num instante, a altura e a velocidade necessárias para o voo imaginário. Interessante como um brinquedo supostamente feito para crianças funciona tão melhor com um adulto, tão carregado, tão cheio de pensamentos vários, de preocupações inadiáveis, de pequenas conjecturas que escondem grandes decisões, de amores e de amados e de amantes, de filosofia e de necessidades naturais.

Mas, muito provavelmente, junto com os movimentos da perna e do tronco, aquela mulher deixou também que a mente balançasse no voo imaginário, guardando os pensamentos, as conjecturas, os amores naquela bolsa estática sobre o estático balanço. Talvez por isso ela tenha alcançado os mais altos céus, lá onde os pássaros costumam planar, mais pesados do que o ar, mas aptos a usar desse mesmo ar – invisível – como seu suporte. Talvez por isso seu sorriso dissesse de um prazer de quem, como uma ave, está pairando sobre o ar – ela mesma mais pesada do que ele, mas apta, agora, a permanecer sobre ele.

Seu voo durou alguns minutos. Mas considero quantos mundos de formas, cores e nenhuma correspondência com este mundo ela visitou. Deve ter planado sobre montanhas disformes, lagos coloridos, céus imensos, terras distantes.

Ao fim, pés no chão. O balanço, num movimento inconformado e desajeitado, para, mas conserva, um tempo ainda, um frêmito convulsivo e estranho. A mulher toma de volta, do outro balanço, estático, sua bolsa carregada. Retoma seu andar de quem sabe o que quer. Seu olhar, austero e hipnotizante, encara o caminho a seguir. Talvez ela tenha deixado cair um ou outro conteúdo de sua bolsa enquanto voltava pelo caminho. Não me importei, deixei-os lá. Deixemos que a terra, a poeira, o chão cuide do que é dele. Cuidemos nós de voar.

Leonardo Ramos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Playlist da semana

Em homenagem ao dia mundial do rock, quatro belos exemplares de guitarras distorcidas, baterias nervosas e vocais frenéticos.

1) The Who - The Seeker



2) Black Sabbath - War Pigs



3) Nirvana - Smells like a teen spirit



4) The Dead Weather - Treat me like your mother



Hermes.

domingo, 10 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

The boy done wrong again


De minha queridíssima amiga Gelly A.
http://fragellytee.blogspot.com
Foto: Leonardo Ramos

Tenho um piano. Grande, marrom, como um elefante. Foi fabricado em 1810 e devo conseguir um bom dinheiro por ele se algum dia tentar vendê-lo a um antiquário – ou o antiquário o conseguirá, depois de inventar uma boa história sobre seu país de origem e seu primeiro dono. Enfim, tenho um piano, mas ele está a quilômetros de distância de mim, na casa onde passei minha infância e onde, durante a adolescência, arrisquei algumas Invenções de Bach e uma sonata de Mozart – aquela em Dó Maior. Há anos não toco sequer uma escala com as duas mãos. A vida vai se afunilando e, um belo dia, somos especialistas em especialidades especialíssimas nas quais apenas outros especialistas especiais e específicos estão interessados. E fica no álbum fotográfico o arco-íris que a gente chegou a ser um dia.

Mesmo assim, tenho ciúmes do meu piano. Sempre que o visito (por tabela), tiro o pó da madeira, das teclas e dos porta-retratos que minha mãe colocou sobre ele. E digo aos meus priminhos curiosos que o piano está trancado, embora nunca tenha tido uma chave. As pequenas e delicadas mãos deles se transformam em dolorosos martelos quando tocam meu piano. E os convenço a procurarem peixinhos no aquário vazio da sala de jantar. Um dia nós tivemos lindos peixes, diversos, de várias cores e com nomes de pessoas famosas. Hoje o aquário vive a saudade de seus velhos tempos, enquanto serve de suporte para begônias e violetas.

O piano, então, ficou mudo. Se ninguém o toca, ele nada fala, nada canta, nada declama. O piano enfeita a sala de visitas, com a imponência de quem pertenceu a Napoleão Bonaparte, e o silêncio de quem perdeu, por causa do imenso funil das especializações, as mãos brancas que o acarinhavam, assim, sem jeito.

Mudas também ficariam as folhas, se o vento não as movimentasse. E a cascas de semente de sibipiruna, se não pisássemos nelas para ouvir sua voz onomatopaica, no meio do outono. E os livros, se os mantivéssemos fechados. Madame Bovary ainda estaria viva, mas Werther nunca me teria feito chorar.

Meu piano é uma caixa de madeira que guarda as mais belas canções. E nunca irei ouvi-las dele se não atravessar os tantos quilômetros que nos separam e desamassar as partituras certas. Assim também são as pessoas. Algumas delas seriam as melhores convidadas para as festas das quais não foram avisadas. As melhores mães, cujos ventres não foram fecundados. Os melhores escritores que ainda assinam o nome com a impressão digital borrada do polegar. Os melhores amantes que não receberam o telefonema no dia esperado. Porque às vezes há, do lado de dentro, tanta cor e tantas fragrâncias à espera apenas de um olhar mais corajoso, dos dedos certos no teclado, uma sequência adequada de números, notas organizadas com cuidado em um par de versos brancos.

Vezes em que somos como meu piano: esperando que arranquem de nós a canção mais triste para que possamos assim nos sentir um pouco menos miseráveis, desperdiçados, mudos.

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Leonardo Ramos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

30 Day Song Challenge - Parte II

Day 11 - a song from your favorite band – Fool on the hill (The Beatles)



Day 12 - a song from a band you hate – Gimme Shelter (The Rolling Stones)



Day 13 - a song that is a guilty pleasure – For your babies (Simply Red)



Day 14 - a song that no one would expect you to love – Luz dos olhos (Nando Reis)



Day 15 - a song that describes you – Let down (Radiohead)



Day 16 - a song that you used to love but now hate – God put a smile upon your face (Coldplay)



Day 17 - a song that you hear often on the radio - Spending my time (Roxette)



Day 18 - a song that you wish you heard on the radio – Western eyes (Portishead)



Day 19 - a song from your favorite album – Helter Skelter (The Beatles)



Day 20 - a song that you listen to when you’re angry – Show me how to live (Audioslave)



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Leonardo Ramos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vagos sentimentos vespertinos

Acrobata da Dor

Gargalha e ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado,
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
Nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Cruz e Sousa
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Leonardo Ramos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Corpo



Quando é que te verei? Na tua espera
Sou presa desse deus que me devora
Sem pressa, membro a membro; muito embora
Eu permaneça vivo. Ah!, eu quisera

Que no ventre de Cronos – essa fera
De ódio cheia e raiva sem demora –
Eu reencontrasse o meu amor d’outrora,
Assim como, ali, Zeus reouve Hera.

Mas no âmago do Tempo não há nada
Além dum só rochedo – cujo cume
Rapidamente alcanço. Na saliência

Meu corpo entrego – a alma olvidada,
Pendendo entre o frescor de teu perfume
E o infinito abismo de tua ausência.

Leonardo Ramos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Soneto - De ser parece que esqueci-me

De meu grande amigo e irmão Adriano Drummond.
http://naturainutiliarum.blogspot.com

De ser parece que esqueci-me.
E pelo Inferno dos meus olhos
(Já sei bem que castigo escolhe-os,
Certo da espécie deste crime:

Ter-me afogado no sublime),
Sentindo um qualquer perfume – óleos
De Eurídice? – viajo em regime
De abrolhos, antolhos, in-fólios.

Pedras púrpuras palmilho,
Sem Beatriz e sem Virgílio,
Assim sempre a caminhar. Mas

Para nada, nada mesmo.
Também assim, num gesto a esmo,
Achei o morto que em mim jaz.
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Leonardo Ramos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Playlist da semana

Esta semana, depois de um maravilhoso achado - todos os vídeos do novo álbum da PJ Harvey, Let England Shake -, a playlist terá doze músicas, o que é três vezes mais que o usual. Aproveitem os belíssimos vídeos e a genialidade dessa mulher.



Hermes.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

30 Day Song Challenge - Parte I

Mês passado deparei com uma brincadeira no facebook que achei interessante. Confesso que a maior parte delas me enfada e irrita, mas esta, sendo musical, me agradou demais. Consiste em dizer, a cada dia, ao longo do mês, uma música que tenha a ver com algum momento pessoal - música que lembra alguém, música que o define, música que o deixa alegre etc. Achei interessante porque eu tenho uma relação com a música muito estreita e íntima, de modo que a maioria das minhas lembranças são ligadas a uma música.

Gostei tanto que decidi colocar as minhas respostas aqui no blog. Para não atrapalhar outras postagens, não vou obedecer a regra da postagem diária. Postarei de três vezes, dez músicas a cada sexta-feira. De uma certa forma, elas compõem um tipo de mosaico - que, ao fim e ao cabo, mostram muito do que eu sou. Vamos ao desafio, então!


Day 01 - your favorite song – The Long and Winding Road (The Beatles)



Day 02 - your least favorite song – É isso aí (Ana Carolina)



Day 03 - a song that makes you happy – I’ve got a feeling (The Beatles)



Day 04 - a song that makes you sad - Broken (S. Carey)



Day 05 - a song that reminds you of someone - Carousel (Iron & Wine)



Day 06 - a song that reminds you of somewhere – Such Great Heights (Iron & Wine)



Day 07 - a song that reminds you of a certain event – Jigsaw falling into place (Radiohead)



Day 08 - a song that you know all the words to – Fugitive Motel (Elbow)



Day 09 - a song that you can dance to – Virtual Insanity (Jamiroquai)



Day 10 - a song that makes you fall asleep - Cowboy (Portishead)


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Leonardo Ramos.