Foto: Leonardo Ramos
Sou um observador fantasmático das pessoas. Não que eu esteja morto, ou que seja algum tipo de entidade sobrenatural que já pertenceu a um corpo físico. Sou uma pessoa comum, com a vantagem de ser pouco notado pelas outras pessoas comuns.
Costumo parar ao pé de uma árvore seca ou ficar escorado num muro mal-acabado. Fico aí, estático, a ver a procissão dos humanos, carregados em suas preocupações diárias, supérfluas ou importantes, e faço minhas leituras de suas marcas. Sem julgamentos, claro, porque sou um deles, um humano carregado em minhas preocupações diárias, supérfluas ou importantes, e eu também costumo fazer minhas próprias leituras de mim mesmo. Sem julgamentos, claro.
Dias atrás, calhou de eu estar num parque ecológico onde, como sói acontecer, além de árvores e muito verde, há também brinquedos. Brinquedos simples, diferentemente daqueles que estão nos parques de diversões, repletos de botões, engrenagens, assentos, movimentos. Os brinquedos dos parques ecológicos estão mais de acordo com a simplicidade do local.
Nesse parque, então, havia balanços, os favoritos das crianças. Porque, se há uma coisa que um ser humano se ressente de deus é de não poder voar. E se tem um ser humano que mais se sente magoado com essa terrível falha divina é a criança. E lá estão elas, sentadas sobre aquela fatia de madeira retangular, nem sempre bem-trabalhada, suspensa a poucos centímetros do chão por duas correntes, estas presas a um suporte de aço muito bem fixo. Tudo muito rijo – parece –, tudo muito estático. Mas aguarde um balançar de pernas, e outro, e outro agora mais forte, junto com o movimento brusco do tronco para trás: eis o balanço exercendo sua função de dar a ilusão do voo livre.
Nesse dia, não faz muito tempo, os balanços estavam estáticos, à espera da criança para os fazer reviver. No entanto, é uma mulher que desta vez se aproxima: vestido negro, uma bolsa grande, carregada, uma maneira de andar de quem sabe o que quer, um olhar austero e hipnotizante. Sem titubear, deixou sobre um dos balanços sua bolsa grande, carregada – de pensamentos vários, de preocupações inadiáveis, de pequenas conjecturas que escondem grandes decisões, de amores e de amados e de amantes, de filosofia e de necessidades naturais.
Sentou-se no outro balanço. Começou o baile das pernas, para frente e para trás. O tronco, movimentando-se com força para trás, deu ao balanço, num instante, a altura e a velocidade necessárias para o voo imaginário. Interessante como um brinquedo supostamente feito para crianças funciona tão melhor com um adulto, tão carregado, tão cheio de pensamentos vários, de preocupações inadiáveis, de pequenas conjecturas que escondem grandes decisões, de amores e de amados e de amantes, de filosofia e de necessidades naturais.
Mas, muito provavelmente, junto com os movimentos da perna e do tronco, aquela mulher deixou também que a mente balançasse no voo imaginário, guardando os pensamentos, as conjecturas, os amores naquela bolsa estática sobre o estático balanço. Talvez por isso ela tenha alcançado os mais altos céus, lá onde os pássaros costumam planar, mais pesados do que o ar, mas aptos a usar desse mesmo ar – invisível – como seu suporte. Talvez por isso seu sorriso dissesse de um prazer de quem, como uma ave, está pairando sobre o ar – ela mesma mais pesada do que ele, mas apta, agora, a permanecer sobre ele.
Seu voo durou alguns minutos. Mas considero quantos mundos de formas, cores e nenhuma correspondência com este mundo ela visitou. Deve ter planado sobre montanhas disformes, lagos coloridos, céus imensos, terras distantes.
Ao fim, pés no chão. O balanço, num movimento inconformado e desajeitado, para, mas conserva, um tempo ainda, um frêmito convulsivo e estranho. A mulher toma de volta, do outro balanço, estático, sua bolsa carregada. Retoma seu andar de quem sabe o que quer. Seu olhar, austero e hipnotizante, encara o caminho a seguir. Talvez ela tenha deixado cair um ou outro conteúdo de sua bolsa enquanto voltava pelo caminho. Não me importei, deixei-os lá. Deixemos que a terra, a poeira, o chão cuide do que é dele. Cuidemos nós de voar.
Leonardo Ramos.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Balanço (ensaio sobre um motivo fotográfico)
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Leonardo Ramos
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sábado, 18 de dezembro de 2010
Machado de Assis e a perda da inocência (II)
Uma coisa, no entanto, que me impressiona bastante nos romances é a extrema solidão de seus protagonistas: Brás Cubas tem um enterro melancólico, para dizer o mínimo. Onze amigos e uma chuva renitente apenas acompanham seu cortejo fúnebre. Foi "solteirão, como ele mesmo disse, a vida inteira; possuiu e não possuiu Virgília. Rubião morreu com a amizade somente do cão, após ter sido rodeado de interesseiras companhias. Bentinho não chega a falecer, é verdade; mas acaba, de certa forma, sepulto nas lembranças de um passado de não-realização, numa casa reproduzida tal qual a de sua infância. Acaba sozinho, sem filho e sem mulher, embora nunca tivesse sentido que possuíra os dois alguma vez. Além disso, os três são consumidos por desejos insatisfeitos: Cubas queria Virgília e o sucesso do seu nome; Rubião queria Sofia e quase tudo nesta vida: "Olha para si, para as chinelas (...), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu: e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade"; Bentinho queria Capitu.
A ideia, ao que me parece, especialmente quando leio Dom Casmurro, é que a idade adulta é tão-somente uma infância desprotegida e solitária, em que o desejo de reter para si alguma pessoa ou memória é o próprio causador da perda. Lembro-me aqui de uma das odes de Ricardo Reis, a qual me parece muito próxima desse sentimento:
"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois, pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste com flores no regaço."
A vida é esse rio, no qual parece que jamais entramos. Estamos sempre à beira, ouvindo e vendo-o correr, eterno devir heraclitiano, enquanto não enlaçamos as mãos em nada e em ninguém. Nada realmente nos pertence. Nós, crianças adultas, enquanto poucas flores suavizam-nos os momentos, estamos à beira, perdidos entre o ser e o não-ser, entre o desejo e a insatisfação, entre a posse e a eterna não-realização.
Parece-me sempre que é essa desilusão que vai crescendo em Machado de Assis e em mim, enquanto o leio. Eu também já não sou aquele adolescente azevediano, a quem não aborrecia "estas histórias de amor, velhas como Adão, e eternas como o céu". Para Marx, seria a desilusão que daria à luz o homem livre, e talvez seja assim. Para o Cristo, é a verdade que liberta. Pode ser também. Mas, para mim, e talvez para Machado, é a verdade de que o homem não é verdadeiramente livre que dá origem à desilusão, e isso é tudo.
Aquele "movimento ao canto da boca" vai então diminuindo, e uma triste e desconsolada constatação - de que essa é a eterna condição humana - sobressai nos textos do Machado de Assis do fim do século XIX e início do XX. Coloquemos "A chinela turca" ao pé de "Pai contra mãe", "D. Benedita" ao pé de "Missa do Galo", Memórias Póstumas de Brás Cubas ao pé de Memorial de Aires; o movimento que vemos, da esquerda para a direita em cada exemplo, é o da boca saindo do sorriso suave e sarcástico para o repouso numa expressão nem irônica, nem cínica - apenas cética e pesssimista. A ironia jamais deixará Machado; mas ela diminui gradativamente, até ceder lugar à pura desilusão e colocar-se em segundo plano.
A perda da inocência é a marca da vida adulta. No entanto, a adultez não é mais que uma infância desolada. Sós entramos no mundo, sós saímos dele, e conosco nada levamos. Viemos do pó, e ao pó voltaremos. Resta-nos somente a autoironia, essa flor débil que nos perfuma os momentos enquanto estamos ao pé do rio que jamais para ou volta atrás, correndo impassível para algum lugar além dos deuses.
"Ao fundo, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados, olhando um para o outro. (...) Hesitei entre ir adiante ou desandar o caminho; continuei parado alguns segundos até que recuei pé ante pé. Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na atitude uma expressão a que não acho o nome certo ou claro; digo o que me pareceu. Queriam ser risonhos e mal podiam se consolar. Consolava-os a saudade de si mesmos."
Leonardo Ramos.
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Machado de Assis e a perda da inocência - Prólogo

Caros visitantes,
Este albergue foi criado para que eu pudesse compartilhar com os peregrinos minhas experiências estéticas desta vida - que, afinal, é o único sentido possível para ela. Nesse intuito, eu tento respeitar o fato de que todos temos vidas corridas, e de que nem sempre temos paciência para ler textos enormes.
No entanto, desta vez extrapolarei esse zelo para colocar aqui um texto meu que me é muito importante.
Machado de Assis é o principal escritor de prosa brasileiro, para mim. O maior deles, na minha opinião. E meu interesse artístico-literário deve muito ao bruxo do Cosme Velho, porque foi através dele que descobri que a arte, muito mais do que caminho de expressão, é possibilidade de síntese da vida.
Quero dizer, então, que publicarei aqui, em alguns capítulos, para tornar a leitura um pouco mais fácil, um texto que escrevi para um concurso da Prefeitura de Belo Horizonte que se intitulava "Ensaios Universitários". No seu primeiro ano, esse concurso homenageava Machado de Assis, por ser seu centenário de morte (2008). Eu aproveitei a oportunidade de compartilhar meu entusiasmo por sua obra ao mesmo tempo que eu sabia - modéstia às favas - que poderia escrever um bom texto, dado o meu envolvimento com essa mesma obra literária.
O tal texto me rendeu o segundo lugar - outra vez! - no concurso, cujo prêmio foi R$ 1.500,00 em forma de cheque-livro. Como podem imaginar, consegui "engordar" bastante minha tão-amada biblioteca.
Se for possível, então, caros amigos, acompanhem essas postagens. Com ele eu dedico este sítio ao maior escritor brasileiro. Ainda deixando a modéstia de lado, o texto é um dos poucos meus com os quais eu me sinto completamente à vontade, sem aquele sentimento de arrependimento que me envolve na maioria das coisas que escrevo.
Amanhã, então, postarei o primeiro capítulo. Espero que gostem tanto deste texto quanto eu.
Abraços,
Leonardo Ramos.
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Machado de Assis e a perda da inocência (I)

Dom Casmurro chegou-me às mãos quando eu tinha apenas treze anos. Nessa época, pode ser que eu me identificasse menos com aquele narrador um tanto ácido e desiludido do que com o poeta do bonde que lhe dera o apelido. Eu respirava ares de adolescência romântica, que duraram até meus vinte anos, ou um pouco mais; com Álvares de Azevedo eu consumia os dias em fogosas visões de pálidas virgens, lânguidas, vaporosas, fantasmáticas, que, como em todas as paixões idealizadas, em nada correspondiam àquelas menininhas tão cheias de vida com quem me apaixonava.
Eu escrevia, e escrevia poemas mais românticos que o próprio Romantismo, se é que isso era possível. Eu não podia, então, entender muito daquela ironia, aquele "movimento ao canto da boca" que rondava as páginas do romance. Muito do que se lê faz reverberar na alma as vivências passadas, e ali não havia assim tanto passado. No entanto, a leitura foi prazerosa. Ao fim do livro, restou-me um certo sentimento vago, uma melancolia estranha que, segundo eu pensava, não poderia vir de uma obra realista.
Giremos depressa os ponteiros do relógio: eis-me com vinte e cinco anos. Idas e vindas, seminário franciscano, uma tentativa abortada de estudar as Letras, trabalhos aqui e acolá, muitos amores platônicos e dois bastante reais trouxeram-me a essa idade, quando eu me reencontrei com Bentinho. Já não era mais o adolescente romântico; a filosofia havia me desiludido bastante, mas não mais do que a vida o fizera. Senti que lia outro livro: Bentinho entrou-me a parecer muito mais esperto do que da primeira vez. Ele não me soou mais como um menino ingênuo, tragado pelo amor sem poder se defender da ressaca dos olhos de Capitu; mas como um advogado engenhoso, perspicaz, que me conseguira convencer na primeira leitura de que ele era a vítima naquela história.
Depois veio o Quincas Borba. O mundo, que parecia girar em torno da minha existência romântica parou. De repente, eu me dei conta de que o homem é que gira em torno deste mundo que, segundo Schopenhauer, é vontade, desejo eterno e, por isso, insaciável. A inocência se perdera; a adultez chegara e, com ela, o ceticismo. Mas permaneceu comigo aquela melancolia que assomaba do fundo de toda ironia machadiana. Após o riso causado por ela, os lábios voltavam ao normal, e o gosto amargo permanecia na boca.
Mas de onde viria essa melancolia? Brás Cubas deu-me a pista: "Trata-se de uma obra difusa, (...) não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio." Lendo as suas memórias póstumas, tive a confirmação daquela tristeza miúda, suave e quase imperceptível que me pedia humildemente licença para se achegar um pouco mais quando eu lia Dom Casmurro. E foi exatamente no capítulo em que Brás Cubas se encontra com seu antigo companheiro de colégio, o Quincas Borba, que me veio a confirmação. Antes, porém, de encontrar o filósofo do Humanitismo, Cubas havia visto um outro colega, que era ministro, e a ideia de se tornar um ministro também lhe ocupa o pensamento: "Recordei aquele companheiro de colégio, as correrias nos morros, as alegrias e travessuras, e comparei o menino com o homem, e perguntei a mim mesmo por que não seria eu como ele". Instantes após, esbarra com Quincas, que lhe deixa uma impressão ruim e que, no capítulo posterior, se despede de Cubas com um abraço. Eis a cena esclarecedora: "E dizendo isso, abraçou-me com tal ímpeto que não pude evitá-lo. Separamo-nos finalmente, eu a passo largo, com a camisa amarrotada do abraço, enfadado e triste. Já não dominava em mim a parte simpática da sensação, mas a outra. Quisera ver-lhe a miséria digna. Contudo, não pude deixar de comparar outra vez o homem de agora com o de outrora, entristecer-me e encarar o abismo que separa as esperanças de um tempo da realidade de outro tempo..."
É a constatação da idade adulta. Invariavelmente, os adultos relembram-se da fase de criança/adolescente com uma nostalgia desbragada, quando, em crianças, queriam somente crescer. O amadurecimento é, para as crianças, a conquista da liberdade. Mas, conquistando-a, querem voltar à meninice. Por quê? Justamente porque, quando se chega à "maturidade", a liberdade entra a ser um volume descomunal, incômodo, que não se deixa carregar em seu peso insuportável, que não se pode guardar num armário ou esconder embaixo da cama. Ela só estorva. O que fazer com ela, então? É preciso usá-la, mas não sabemos como...
Ficamos com a impressão de que a liberdade é um presente de grego. Ela traz, dentro de si, qual Cavalo de Troia, a nossa própria destruição. Parece-nos um paradoxo: somos livres, e essa liberdade nos aprisiona. E não é disso que trata o conto "Igreja do Diabo"? O homem, escolhendo Deus, escolhe a bondade. No entanto, sub-repticiamente, pratica a fraude, a opressão, a mentira e tudo o mais; vem o Diabo, pregando a sua doutrina, prometendo ao homem todos os prazeres: ei-lo convertido à igreja de Satanás. Mas, às escondidas, pratica a caridade. É possível entender? "Que queres tu? - diz Deus - é a eterna condição humana".
E a eterna condição humana é pender entre o desejo, essa necessidade imperiosa, e a liberdade. É o Humanitismo, uma mistura extraordinária de pessimismo schopenhaueriano com darwinismo social. Ele resume a eterna busca humana não só pela sobrevivência, como também pela ânsia de reconhecimento, de glória e de aplausos: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas." A ironia e o cinismo contidos nessa frase, nesse lema do Humanitismo é a marca de Machado nos seus três romances mais celebrados: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, como nos contos de Papéis Avulsos.
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Leonardo Ramos
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