Acrobata da Dor
Gargalha e ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado,
De uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...
Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
Nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Cruz e Sousa
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Leonardo Ramos.
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
Vagos sentimentos vespertinos
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Leonardo Ramos
às
16:27
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Fantasmagoria
"Por isso vão passar perante a turbamulta
Como abrupta avalanche, enorme catapulta,
Numa marche aux flambeaux, os famulentos vícios
Que cavaram no globo horrendos precipícios,
Os vícios imortais, que infestam tribos, greis,
Povos e gerações, seitas, templos e reis
E que são como a lava obscura da cratera
Que subterraneamente a tudo se invetera."
Cruz e Sousa, O Livro Derradeiro
Sorri quando caí; porque queria
Ter alma suspendida e sem cuidado
De coisa alguma que me houvesse ao lado;
Pois era tanta a morte que subia
Que nada me haveria machucado
Enquanto eu caía.
E enquanto à minha volta eu ouvia
Os vultos de fantasmas celerados
Cuspindo e vomitando seus pecados,
A lua lhes velava a vilania.
Mas olhos não os tinha tão velados
Enquanto eu caía.
E a vertigem que então descia
Por sobre a minha mente abandonada
Deixou a minha alma apavorada;
Não digo pela fantasmagoria,
Mas pela luz que andava degredada
Enquanto eu caía.
E o tropel horrendo que crescia
Diante desta face atordoada
Soava-me imensa gargalhada,
Tal qual Satã gozando em uma orgia...
E avançava a horda arreliada
Enquanto eu caía.
Fantasmas! Quem talvez se lembraria
Do vosso rosto humano delicado
Ao vê-lo assim, assaz desfigurado,
Atrás de diabólica histeria?
Que anjo mal vos houve aprisionado
Enquanto eu caía?
Leonardo Ramos.
Como abrupta avalanche, enorme catapulta,
Numa marche aux flambeaux, os famulentos vícios
Que cavaram no globo horrendos precipícios,
Os vícios imortais, que infestam tribos, greis,
Povos e gerações, seitas, templos e reis
E que são como a lava obscura da cratera
Que subterraneamente a tudo se invetera."
Cruz e Sousa, O Livro Derradeiro
Sorri quando caí; porque queria
Ter alma suspendida e sem cuidado
De coisa alguma que me houvesse ao lado;
Pois era tanta a morte que subia
Que nada me haveria machucado
Enquanto eu caía.
E enquanto à minha volta eu ouvia
Os vultos de fantasmas celerados
Cuspindo e vomitando seus pecados,
A lua lhes velava a vilania.
Mas olhos não os tinha tão velados
Enquanto eu caía.
E a vertigem que então descia
Por sobre a minha mente abandonada
Deixou a minha alma apavorada;
Não digo pela fantasmagoria,
Mas pela luz que andava degredada
Enquanto eu caía.
E o tropel horrendo que crescia
Diante desta face atordoada
Soava-me imensa gargalhada,
Tal qual Satã gozando em uma orgia...
E avançava a horda arreliada
Enquanto eu caía.
Fantasmas! Quem talvez se lembraria
Do vosso rosto humano delicado
Ao vê-lo assim, assaz desfigurado,
Atrás de diabólica histeria?
Que anjo mal vos houve aprisionado
Enquanto eu caía?
Leonardo Ramos.
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Leonardo Ramos
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19:08
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