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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vagos sentimentos vespertinos

Soneto - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem – se algum houve – as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto:
que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões

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Leonardo Ramos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sob o silêncio da vigília


Foto: Leonardo Ramos

Soneto - Alegres campos, verdes arvoredos

Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;

Silvestres montes, ásperos penedos
Compostos de concerto desigual;
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.

E pois já me não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.

Semearei em vós lembranças tristes,
Regar-vos-ei com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
Luís Vaz de Camões
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Leto.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Razão

Não é por teu olhar iluminado,
tua tez suave, ou tua face amena,
por me doares tua voz serena
ou mesmo por teu corpo imaculado;

nem por estares onde tenho estado,
nas vivas cores das melhores cenas,
no beijo que alivia minhas penas,
no enleio que me cerca de cuidado.

Se dizem que, no amor dos corações,
não há sequer a sombra do bom senso,
se é tão contrário a si, como em Camões,

no meu amor, adiro a tal consenso:
pois mesmo havendo todas as razões
para te amar, toda razão dispenso.

Leonardo Ramos.